Fibra puxa crescimento do setor de telecomunicações, mas taxa de aumento está caindo

O Brasil é o terceiro país no mundo em termos de adição de usuários na rede de fibra ótica, atrás apenas da China e da Índia. Entre o primeiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023, o País registrou 5 milhões de adições líquidas, enquanto a Índia registrou nove milhões e a China, 51 milhões. Os dados foram apresentados por Ari Lopes, gerente-sênior de pesquisa para as Américas na OMDIA, ao abrir a sexta edição do Telco Transformation Latam, que ocorre nos dias 29 e 30/08, no Rio de Janeiro.
A fibra ótica segue sendo o motor de crescimento do setor de telecomunicações, mas está chegando o momento quando a taxa de crescimento, mesmo que ainda alta, vem apresentando declínio. Além disso, o cenário atual aponta para as prestadoras de serviços de telecomunicações com dificuldade em rentabilizar os investimentos feitos em 5G e sem conseguirem inovar na prestação de serviços com a nova tecnologia.
O faturamento da banda larga fixa cresceu 8,6% no primeiro trimestre de 2023 em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, apesar de ser o maior motor de crescimento nas Américas, graças aos investimentos em fibra, a banda larga fixa está, aos poucos, desacelerando no continente desde que teve um pico de crescimento no segundo trimestre de 2021.
Já a banda larga móvel vem apresentando um crescimento, ainda que o 5G seja muito novo em todo continente, com exceção dos Estados Unidos que estão mais avançados. O ano de 2023 será marcado por lançamentos comerciais de redes 5G e com novos entrantes como a Brisanet e Unifique no Brasil, um dos únicos mercados onde o leilão de espectro atraiu novas empresas.
O continente americano viu as conexões 5G aumentarem puxadas pelas implantações nos Estados Unidos, onde 38% das conexões são 5G, ficando entre um dos maiores market shares de 5G do mundo. Contudo, na América Latina, 5G ainda é muito incipiente, com uma muito baixa participação. “Com exceção dos EUA, o cenário é bastante incerto. Têm países como Brasil e México que começaram a crescer, mas o México tem 2,3% das conexões sendo 5G e Brasil, 3,8%, ou seja, é muito pouco. O Chile tem 15% e Porto Rico, que tem dinâmica mais próxima aos EUA, 25%. Mas a Colômbia ainda não lançou; na Argentina só a Telecom Argentina lançou”, ponderou Lopes.
