The Shift

Pensar como um investidor de risco… mesmo sem um tostão de Venture Capital?

A inovação disruptiva não tem fronteiras, e não deveria ficar limitada a fundos de Venture Capital e a empresas financiadas por eles. Para o economista financeiro Ilya Strebulaev, professor da Stanford Graduate School of Business desde 2004, entender negócios em cenários turbulentos é uma tarefa de vida. Há mais de 20 anos, Strebulaev se dedica a dissecar o modelo mental dos investidores de risco (VCs) e seus impactos na economia.

Como efeito colateral do seu trabalho, o professor reuniu uma gigantesca base viva de conhecimento e pesquisa contínua sobre startups, unicórnios e VCs – a Stanford GSB Venture Capital Initiative. No ano passado, Strebulaev e o consultor de estratégia digital Alex Dang extraíram da mentalidade de risco nove lições práticas de condução de negócios em cenários em que inovar é vital para se manter sustentável: o livro The Venture Mindset: How to Make Smarter Bets and Achieve Extraordinary Growth”.

A ideia central do livro é que a mentalidade de risco é necessária para a prosperidade de qualquer tipo de negócio. Uma visão que, para lideranças conservadoras e conselhos administrativos, pode parecer contraintuitiva.

“A mentalidade de risco é um novo modelo mental em que o fracasso é essencial, a due dilligence é colocada de cabeça para baixo, a dissidência é incentivada, ideias são rejeitadas aos montes em busca de um único vencedor, projetos são desligados e os horizontes de tempo são estendidos.”

The Venture Mindset é leitura necessária, se você está buscando caminhos para manter-se (ou sua empresa) relevante quando a ruptura é a única constante. Pode ser que discorde de algum dos nove princípios que listamos abaixo, mas convidamos a parar e refletir a respeito.

  1. Sucesso importa, mesmo com erros: preocupe-se com o risco de perder o próximo sucesso. Nem toda decisão será uma vitória, mas “o objetivo não é ganhar sempre. O objetivo é não perder a oportunidade de ganhar muito pelo menos uma vez”. De todo modo, enxugue seu portfólio de ideias: “Muitas ideias podem distrair e desorientar a gestão.”  
  2. Saia das quatro paredes: considere o que está acontecendo fora da sua organização. Em ambientes incertos, a curiosidade é sua melhor amiga. “Essa incapacidade de buscar negócios fora das quatro paredes, e de fazê-lo rapidamente, é um dos principais motivos pelos quais a inovação é sufocada em tantas empresas.”  
  3. Pergunte Por que não: “Os VCs reduzem a complexidade da seleção buscando um motivo decisivo para rejeitar uma oportunidade, em vez de avançar para a próxima fase de análise.” Quando você treina sua mente dessa forma, você se prepara para reconhecer padrões de sucesso e fracasso. Mas isso exige distanciamento e visão de contexto.  
  4. Diga Não 100 vezes: mas diga de caso pensado. Considere muitas ideias, mas passe cada uma delas por um funil. A maioria ficará na primeira etapa. Conselho dos autores: “Para evitar limões, avalie mais carros! Expanda sua ideia e seja disciplinado sobre como você a analisa, usando critérios diferentes em cada etapa.”  
  5. Aposte no jóquei, não no cavalo: a equipe é fundamental. O elemento humano importa. “VCs não hesitam em continuar apostando nos fundadores se determinarem que o fracasso não foi por causa deles”. A execução importa. “Ideias são muito caras; a execução da ideia faz toda a diferença.” Coloque as melhores pessoas em projetos de inovação.  
  6. Concorde em discordar: busque a discordância. Substitua a necessidade de estar certo pela satisfação de descobrir a verdade. O consenso muitas vezes é resultado de vieses ou de acomodação. “VCs não buscam consenso. Eles adoram discutir, lutar por sua visão de futuro, ouvir atentamente o outro lado da mesa e trocar ideias.”  
  7. Dobrar a aposta ou desistir: “Para vencer a longo prazo, você precisa ser flexível para mudar de ideia sempre que coletar mais informações.” A teimosia é péssima conselheira, não se apegue às suas decisões e aproveite visões imparciais sobre um problema.  
  8. Aumente o tamanho do bolo: “A mentalidade de risco resolve o problema do principal-agente, tornando todos acionistas. Em vez de buscar maneiras de obter uma fatia maior do bolo, todos estão ocupados aumentando o bolo.”  
  9. Grandes coisas levam tempo: As mudanças que estão por vir não ocorrerão em um único ciclo orçamentário. “Paciência e pensamento de longo prazo libertam a mente de limitações desnecessárias e nos levam a pensar no que pode acontecer com o mundo em cinco, dez ou quinze anos. Nos forçam a olhar além das rotinas do dia a dia.” 

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo