Pix, stablecoins, IA: os pagamentos estão em mutação acelerada. Quem não mudar, some do mapa.

A próxima década será marcada pela hibridização entre bancos, fintechs, plataformas e ativos digitais. Até 2029, a receita global de pagamentos deve atingir US$ 2,4 trilhões, a partir da mudança estrutural movida pelas forças que vemos hoje, como aponta um estudo recém-publicado pelo Boston Consulting Group (BCG).
O relatório “The Future is (Anything but) Stable” mostra que a infraestrutura de pagamentos globais está sendo redesenhada:
- A centralidade do smartphone e da experiência unificada
- Ascensão dos pagamentos instantâneos como trilho dominante
- Stablecoins entrando no mainstream com apoio regulatório
- IA Agêntica como motor de automação e personalização de serviços
- Pressão para modernização dos adquirentes e processadores legados
- Regionalização estratégica e busca por soberania financeira
As receitas relacionadas a transações vão crescer 6% ao ano, frente a menos de 3% para a receita não transacional, com o uso de cartões, adoção de pagamentos instantâneos e novos ecossistemas. A América Latina deve liderar com crescimento anual de dois dígitos na receita transacional, de acordo com o BCG.
Um ponto que vale destacar é que as mudanças incrementais não são mais suficientes para dar conta das mudanças. O relatório alerta que os players estabelecidos precisam adaptar rapidamente seus modelos operacionais e de negócios para acompanhar as inovações na estrutura e novos fluxos de pagamentos.

Um setor em transição
O setor de pagamentos alcançou US$ 1,93 trilhão em receitas em 2024 e, embora o crescimento anual tenha sido de 8,8% entre 2019 e 2024, a taxa deverá cair para 4% ao ano nos próximos cinco anos, à medida que os ventos favoráveis de margens de depósitos perdem força, segundo o relatório.
As principais alavancas de crescimento agora são:
- Adoção acelerada de pagamentos digitais e instantâneos.
- Expansão de plataformas e soluções integradas.
- Crescimento de fintechs de pagamentos, que registraram receita de US$ 176 bilhões em 2024, crescendo 23% ao ano.
Consolidação de novas tecnologias como stablecoins e IA Agêntica.
Pagamentos instantâneos: a nova infraestrutura global
A infraestrutura de pagamentos instantâneos (real-time A2A) está se tornando crítica:
- Segundo o BCG, os volumes de A2A cresceram 40% globalmente em 2024, já representando 25% dos pagamentos digitais de varejo. Em países como Brasil e Índia, ultrapassam 50% das transações totais.
- Um levantamento do Worldpay destaca que, no Brasil, o Pix movimentou US$ 35 bilhões em e-commerce em 2024, com previsão de US$ 86 bilhões em 2030.
- Relatório do Citibank afirma que Pix somou 94,6% das transferências em agosto, somando cerca de R$ 3 trilhões.
- Sistemas como Pix (Brasil), UPI (Índia), PayNow (Singapura), PromptPay (Tailândia) e FedNow (EUA) estão moldando a nova era de pagamentos.
A estimativa é que o A2A atinja US$ 3,8 trilhões em valor global até 2030.

Stablecoins: adoção, crescimento e projeções
As stablecoins são utilizadas por 13% das instituições financeiras e empresas em todo o mundo, com instituições financeiras (23%) liderando as empresas (9%) na adoção inicial. Pelo menos 54% dos não usuários preveem a adoção de stablecoins nos próximos 6 a 12 meses, e 58% das empresas planejam adotá-las em até dois anos, de acordo com estudo da EY-Parthenon. Isso mostra que stablecoins estão se aproximando da adoção mainstream.
- O mercado de stablecoins movimentou US$ 26 trilhões em 2024.
- A capitalização de mercado ficou em torno de US$ 210 bilhões, um aumento de 57% frente ao período anterior.
- Apenas 1% desse volume corresponde a pagamentos reais.
- 41% das empresas que usam stablecoins relatam economias superiores a 10%, principalmente em pagamentos internacionais.
- O principal uso atual é B2B e cross-border, com destaque para USDC, USDT, PYUSD e EURC.
A previsão é que stablecoins representem 5% a 10% de todos os pagamentos globais até 2030, algo entre US$ 2,1 trilhões e US$ 4,2 trilhões.
Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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