The Shift

Seu problema no trabalho não é onde você está. É que você não consegue focar

Por The Shift

A discussão sobre se o trabalho deve ser remoto, híbrido ou presencial ficou pequena. Em 2026, o gargalo global do trabalho não é a localização e sim o foco. Manter a atenção de forma contínua está se tornando algo cada vez mais raro nas equipes. O tempo de concentração, e consequente produtividade, são esvaziados por reuniões, mensagens, excesso de uso alternado de ferramentas e jornadas fragmentadas. Tudo isso transforma o foco em KPI de produtividade, como aponta um relatório da Hubstaff.

As pessoas passam, em média, apenas 39% do tempo de trabalho em foco profundo, segundo dados do “The 2026 Global Trends and Benchmarks Report: How Work Gets Done”. Isso equivale a 2 a 3 horas reais de concentração por dia. Esse percentual varia um pouco quando se considera o modelo de trabalho:

  • Equipes presenciais: 45% do tempo em foco
  • Equipes remotas: 41%
  • Equipes híbridas: apenas 31%, o pior desempenho entre os três modelos

Por função, a disparidade é ainda maior:

  • Papéis altamente colaborativos (Product Managers, líderes de Marketing,
  • fundadores): o foco frequentemente cai para a faixa dos 20% do tempo.
  • Papéis de alta concentração (Engenharia, Design, Dados, Finanças, escrita): 40% a 44% da semana em foco profundo.

O estudo conclui que não existe produtividade sustentável sem atenção contínua, e que medir apenas horas, presença ou volume de entregas ignora a variável que realmente determina a qualidade do trabalho gerado.

Segundo a Hubstaff, mais de 20% do tempo das equipes é gasto com “work about work”, ou seja, reuniões de status, mensagens, alinhamentos, buscas por informação e coordenação. O problema não é apenas a quantidade de reuniões, mas sua distribuição ao longo do dia:

  • Dentro da janela 9h–17h, cada hora concentra entre 4% e 10% dos minutos totais de reunião.
  • Um dia típico tem cerca de 4 reuniões, que somam em média 185 minutos.
  • Não há blocos claros de silêncio: o dia é fatiado em pequenos intervalos que inviabilizam janelas longas de foco.

O efeito acumulado é que mesmo reuniões individualmente razoáveis criam, juntas, um ambiente que não incentiva a concentração profunda.

Sobrecarga de ferramentas fragmenta atenção

Outro vetor silencioso da perda de foco é a explosão do chamado stack digital, ou seja, o uso de ferramentas digitais para que o trabalho seja feito. Em muitas organizações, as plataformas e recursos usados são integrados para que o trabalho possa fluir melhor, mas na maioria das vezes, os novos recursos foram “colados” uns aos outros, o que costuma gerar uma experiência ruim para os funcionários e perda de tempo e concentração. 

Segundo o relatório:

  • Profissionais usam, em média, 18 aplicativos diferentes por dia
  • Em alguns casos:
    • Equipes presenciais: 23 apps/dia
    • Marketing: 24 apps/dia
    • Especialistas em SEO: até 36 apps/dia

O estudo conecta diretamente o alto número de aplicativos a

  • Mais tempo gasto em mensagens
  • Mais necessidade de coordenação
  • Menos foco profundo aplicado ao trabalho

A recomendação não é “menos ferramentas a qualquer custo”, mas a criação de uma “espinha digital” coerente, com

  • Ferramentas essenciais para trabalho, comunicação e conhecimento
  • Regras claras de “qual ferramenta usar para qual finalidade”
  • Integração e automação para reduzir alternância manual

Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift. Reprodução autorizada exclusivamente para a Abranet. A reprodução por terceiros, parcial ou integral, não é permitida sem autorização.

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