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Ciberataques serão ainda mais agressivos com chegada da computação quântica, adverte presidente do Conselho da Abranet

Por Solange Calvo*

 

Em um mundo altamente digital, na esteira de inovações tecnológicas e transformações frenéticas no mercado, garantir segurança de informações estratégicas e sensíveis está cada vez mais assustador. Este foi o alerta de Eduardo Parajo, presidente do Conselho da Abranet, ao participar do painel “Ameaças emergentes e tendências de segurança”, na Futurecom 2025, que acontece em São Paulo.

 

A reflexão unânime foi que investir em tecnologias de defesa contra ciberataques não é mais apenas uma escolha, mas um imperativo para garantir a continuidade dos negócios e preservar a confiança de clientes, parceiros e investidores. Soluções avançadas de monitoramento, inteligência artificial aplicada à segurança e sistemas de resposta automatizada formam hoje a linha de frente contra ameaças cada vez mais sofisticadas. Mas não é o suficiente.

 

Segundo Parajo, é preciso aculturar toda a empresa, colaboradores de todas as esferas da organização, para que compreendam seu papel na proteção da informação e a tática de prevenção tenha sucesso, diante da sofisticação cada vez maior dos cibercriminosos, que também se utilizam das mesmas tecnologias do time de segurança das empresas. “Nessa jornada, o Brasil virou um alvo extremamente atacável, só perdemos para EUA, em especial em infraestruturas de telecomunicações”, relata.

 

O simples e inocente clique em um link desconhecido, em busca de velocidade de ações, pode abrir brechas devastadoras, e apenas a disseminação contínua de boas práticas, aliada a treinamentos eficazes, pode transformar cada profissional em um elo de proteção. A segurança deve ser encarada como parte da cultura organizacional, e não apenas como responsabilidade de um departamento específico.

 

É justo o que defendeu Vanderlei Rigatieri, fundador da WDC Networks, destacando que um simples clique em um link desconhecido pode abrir brechas devastadoras, e apenas a disseminação contínua de boas práticas, aliada a treinamentos eficazes, pode transformar cada profissional em um elo de proteção. A segurança, ele prossegue, deve ser encarada como parte da cultura organizacional, e não apenas como responsabilidade de um departamento específico.

 

Desse encontro, mediado por Diogo Vasconcellos, Líder do Comitê de Startups da ABES, também participaram Carina Hernandes, Security Manager da Logicalis e Líder Woncy; Marcus Vinícius Galletti, Assessor da Superintendência de Fiscalização da Anatel; Paulo Baldin, Ciso na CLA; e Rogger Faioli, CTO e Co-fundador da Gosat.

 

Horizonte temeroso com sofisticação e computação quântica

 

Baldin alertou sobre a facilidade dos cibercriminosos mudarem de estratégia ao longo da jornada de ataque, de acordo com a identificação de mecanismos de proteção adotadas pela empresa que está sendo atacada, até mesmo virando a chave para estratégia de engenharia social, ameaçando familiares de gestores e diretores da empresa. “Por isso a importância dos colaboradores em ampliar o cuidado do que publicam em suas redes sociais”, alertou.

 

O executivo lembrou ainda que atacar digitalmente é tão mais fácil do que assaltar bancos, que representa alto risco, do que investir em ciberataques. “Eles estão tão sofisticados que até mesmo oferecem a modalidade Hacker como Serviço (Hacker as a Service – HaaS).

 

O fato é que, eles reforçaram, simples clique em um link suspeito pode abrir brechas devastadoras, e apenas a disseminação contínua de boas práticas, aliada a treinamentos eficazes, pode transformar cada profissional em um elo de proteção. A segurança deve ser encarada como parte da cultura organizacional, e não apenas como responsabilidade de um departamento específico.

 

Esse cenário, já desafiador, tende a se tornar ainda mais complexo com a chegada da computação quântica, advertiu Parajo. “A promessa de máquinas capazes de processar informações em velocidades inimagináveis traz consigo uma sombra: a possibilidade de quebrar algoritmos de criptografia hoje considerados intransponíveis”, revelou.

 

Em outras palavras, as bases que sustentam a segurança digital poderão ser abaladas, ele acredita, o que torna a preparação ainda mais urgente pela corrida por novas formas de criptografia pós-quântica, capazes de resistir a esse novo poder de processamento.

 

Carina reforçou que o conhecimento dos técnicos é chave nessa jornada ao combate a ciberataques. “Eles devem se atualizar em tecnologias emergentes e especialmente compartilharem conhecimento e trocarem experiências. “É o caminho mais assertivo”, disse.

 

Regulação

 

Galletti, levantou a bandeira da regulação da internet, que ainda é um assunto delicado e em discussão. Mas, ele alenta, que a regulação ao menos deixou de ser um tabu, prova disso é a existência de vários projetos de lei circulando no Congresso.

 

“Temos o regulamento R-Ciber (Regulamento de Segurança Cibernética Aplicada ao Setor de Telecomunicações), instituído em dezembro de 2020, que estabelece obrigações, princípios e diretrizes para garantir a segurança cibernética das redes e serviços de telecomunicações no Brasil”, ressaltou acrescentando que ainda assim é desafiante diante de mais de 23 mil provedores. “Nossa missão é induzir comportamentos desses prestadores de serviço para construir uma estrutura mais segura, com fiscalização.”

 

Vale a lembrança, ele cita, que quando a Anatel foi criada foi dada a ela a responsabilidade de fiscalizar as certificações de cibersegurança nos equipamentos e combater a venda de produtos não homologados, como o “TV BOX”. “Já retiramos do mercado alguns milhões dessas caixinhas.”

 

Preparar-se para esse futuro é não apenas proteger os dados atuais, mas também garantir a sobrevivência das estruturas digitais que sustentam a economia e a sociedade global. “É apenas tratar da ‘Segurança da Informação’ que ganhou o nome gourmet de ‘cibersegurança’. Cuidar do básico já é um grande ganho”, provocou.

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