IA, enquanto aplicação, não é bolha e tem poder transformacional

“A gente é do time que acredita que a inteligência artificial vai transformar a sociedade, mas temos uma visão mais pragmática.” Assim, Marco Stefanini, fundador e CEO global do Grupo Stefanini, abriu a coletiva de encerramento do ano com jornalistas, nesta quinta-feira, 11/12.
Ele foi logo lembrando que se trata de uma tecnologia antiga e que sua companhia investiu em empresas de IA há 14 anos. “Isso nos deu vantagem em como aproveitar a IA. Mas com o ChatGPT houve uma mudança de patamar”, reconheceu.
Em sua visão, os anos de 2023 e 24 foram de experimentação em inteligência artificial generativa. Houve uma aceleração de projetos neste ano — o Grupo Stefanini conta com aproximadamente 300 projetos fazendo uso da tecnologia — e o cenário que se vislumbra é de uma adoção muito forte a partir de 2026 e 27.
O lançamento do ChatGPT popularizou a IA. O mercado assiste a uma competição orientada por dados e as empresas estão buscando parceiros e integradores estratégicos para navegar nesse mundo. Também aumentou-se a pressão por eficiência. Tudo isso no bojo da IA, segundo Stefanini.
O mercado superou o hype da IA e vive agora uma fase de consolidação. Para a Stefanini, existem diversas oportunidades para escalar ofertas personalizadas e de alto valor agregado.
Desde esse ponto de vista, para ele, IA não vive uma bolha. Pelo menos, não do ponto de vista de aplicação de negócio. “Eu divido a IA em três grandes partes: LLMs, infraestrutura e aplicação de negócios, que é aplicar a IA e onde estamos. Não são projetos de bilhões de reais, são projetos tangíveis”, disse.
A leitura é que alguns projetos ou mesmo a avaliação de algumas companhias estejam sobrevalorizadas, mas a inteligência artificial generativa enquanto solução não. “A internet teve bolha e alguns não sobreviveram, mas a internet segue”, ponderou.
O maior hype está nos grandes modelos de linguagem com foco em experiências B2C, grandes valuations e foco em atividades individuais. Na área de infraestrutura, também se tem visto investimento bilionário em data centers e uma corrida por capacidade e energia.
Já a IA aplicada a processos reais das empresas, com foco na eficiência e produtividade, apresenta resultados mensuráveis e é contextualizada para cada cliente, buscando a transformação prática no dia a dia.

