NIC.br celebra 20 anos de atuação pelo desenvolvimento da Internet no Brasil

Em dezembro de 2005, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) passou a receber os recursos oriundos da operação do.br. Ali reforçava-se uma trajetória orientada ao interesse público, tecida por uma sólida atuação pelo desenvolvimento da Internet no Brasil. Nesta sexta-feira (5), este marco completa 20 anos, duas décadas que renderam frutos importantes para o ecossistema digital do país.
O NIC.br ajudou a moldar e a aprimorar a rede com a qual os brasileiros se conectam diariamente. Seus mais de 5,5 milhões de domínios.br ativos, o maior conjunto de Pontos de Troca de Tráfego do planeta e a produção sistemática de indicadores e ações de segurança e inovação são parte de um legado que tornou a Internet por aqui mais estável, acessível e tecnicamente preparada para o futuro.
Todas essas iniciativas são viabilizadas por um modelo de operação único, considerado referência internacional. O NIC.br diferencia-se de entidades similares de outras nações pela destinação que dá aos recursos provenientes do.br. Em vez de concentrar-se apenas em manter uma estrutura técnica de excelência para suas atividades essenciais, como publicação de nomes de domínio e distribuição de numeração IP (Internet Protocol) e ASN (Autonomous System Numbers), vai além. Investe no fortalecimento da infraestrutura de rede, na geração de conhecimento, na formação de profissionais e em outras frentes que ajudam a aprimorar a qualidade da Internet que chega à população.
“Esta é uma história de uma atuação direcionada ao desenvolvimento da Internet no Brasil. O uso do “sobrenome”.br caiu no gosto do brasileiro e não parou de crescer, consolidando-se ao longo dos anos como um dos ccTLDs [country-code Top Level Domain] mais populares globalmente, o que amplia nossa capacidade de impulsionar a evolução digital do país”, afirma Demi Getschko, Diretor-Presidente do NIC.br.
As contribuições do NIC.br para a sociedade se materializam por meio das diversas ações conduzidas por seus departamentos:
- Cetic.br: produz pesquisas de referência internacional (série TIC) sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação, cujos indicadores são subsídios para políticas públicas.
- IX.br: cria e gerencia a infraestrutura de Pontos de Troca de Tráfego que interconecta redes no país, melhorando a qualidade e reduzindo os custos da conectividade no território nacional.
- CERT.br: coordena a resposta a incidentes de segurança, disseminando boas práticas e orientações que tornam o ambiente digital brasileiro mais seguro.
- Ceptro.br: realiza medições independentes da qualidade da Internet e oferece cursos gratuitos que capacitam milhares de profissionais de tecnologia anualmente.
- Ceweb.br: fomenta o uso de tecnologias abertas e a evolução da Web no país, com foco em acessibilidade e inovação.
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OBIA – Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial: sua principal finalidade é monitorar, compilar e disponibilizar dados públicos sobre o uso e a adoção da Inteligência Artificial (IA) em diversos setores no Brasil, como educação, saúde, governo e empresas.
O início de tudo
Para compreender as bases que alicerçaram o NIC.br, é preciso voltar ainda mais no tempo, especificamente, para 1989. No mês de abril daquele ano, o “.br” foi delegado por Jon Postel (Internet Assigned Numbers Authority – IANA) aos que operavam, na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), redes acadêmicas brasileiras. O “.br” era usado para identificar o crescente número de computadores, à época basicamente dentro das universidades. A Internet começaria a operar por aqui em 7 de fevereiro de 1991, sendo lançada comercialmente, em caráter experimental, no final de 1994.
Em 1995, foi criado por meio de portaria interminesterial o Comitê Gestor da Internet (CGI.br), responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da rede no Brasil. Seu modelo de governança multissetorial é reconhecido e elogiado no exterior.
Com o tempo, ficou clara a necessidade de se ter um braço institucional separado do que havia na Fapesp, para implementar com autonomia as ações e projetos do Comitê Gestor. Cinco anos depois, iniciou-se o processo de desvinculação do.br da Fundação e, em janeiro de 2003, o NIC.br foi estabelecido como pessoa jurídica, de natureza privada e sem fins lucrativos.
Em dezembro de 2005, o CGI.br transferiu para o NIC.br as funções administrativas e operacionais do.br, que incluía a execução do registro de nomes de domínio e a alocação de endereços IP e dos números ASN. Com os recursos das atividades, a entidade passou a ter funcionários próprios, fortalecer seus centros e pode desenvolver e implementar a estrutura que tem hoje, iniciando, naquele momento, seu caminhar pela história da Internet brasileira.
NIC.br hoje
A atuação estratégica do NIC.br colocou o Brasil em posição de destaque no cenário global. O projeto IX.br, por exemplo, é atualmente o maior conjunto de Pontos de Troca de Tráfego Internet do mundo, atingindo, em abril deste ano, a marca recorde de 40 Tbit/s de tráfego agregado e presente em 39 localidades. Além disso, o Brasil figura entre os países com mais registros de Sistemas Autônomos (AS) e possui uma taxa de adesão ao IPv6 superior a 50%. “Esse sucesso não é um acaso. É resultado de um trabalho contínuo de capacitação de profissionais e de fomento à adoção de tecnologias essenciais para a escalabilidade e resiliência da rede”, complementa Getschko.
Nos últimos anos, o NIC.br também ampliou as possibilidades para os usuários com o lançamento de novas categorias de domínios.br, renovou sua parceria estratégica com a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e fortaleceu sua presença internacional, passando a integrar o CENTR – associação europeia de ccTLDs – e firmando um acordo com o .PT (Portugal) para aprimorar a Internet no espaço lusófono.
“O sucesso do NIC.br é um reflexo direto da força do modelo multissetorial de governança da Internet adotado pelo Brasil e capitaneado pelo CGI.br. Essa colaboração entre governo, setor empresarial, terceiro setor e comunidade acadêmica garante que o desenvolvimento da Internet seja pautado pelo interesse público e pela qualidade técnica, um exemplo reconhecido mundialmente”, destaca Hartmut Glaser, Secretário Executivo do CGI.br.
Fonte: assessoria de imprensa NIC.br
