Notícias

Bancos lançam portabilidade de crédito pessoal no Open Finance para ampliar mercado de R$ 300 bilhões

As instituições financeiras vão começar a oferecer a portabilidade de crédito pessoal no ambiente do Open Finance, permitindo que clientes migrem operações de empréstimos entre bancos de forma digital, por meio dos aplicativos já instalados.

Parte da trilha de desenvolvimento prevista pelo Banco Central, a chegada das primeiras ofertas de um banco pela operação contratada com outro mira um mercado que hoje circunda os R$ 300 bilhões por ano no que o sistema financeiro chama de ‘CPC’, para ‘crédito pessoal clean’.

“A opção foi um produto muito simples, comparável, tem que ser muito claro quanto vai economizar quando tem uma oferta de portabilidade de uma outra instituição financeira”, ressalta a presidente da Associação Open Finance, o arranjo de governança do sistema, Ana Carla Abrão.

“Hoje o crédito sem garantia tem uma amplitude, uma variabilidade de taxas muito grande. É uma operação que chega a cobrar 20% de juro ao mês. Vamos medir como o mercado reage a essa simplificação da portabilidade”, destacou.

O próximo lançamento, previsto para novembro deste 2026, é a portabilidade do consignado federal. “Vem por etapas. Mas ideia é chegar no crédito imobiliário, ou seja, abarcar todo o mercado do ponto de vista de portabilidade. O crédito consignado federal está previsto para entrar em produção em novembro, e com ele tem a questão da margem consignável, da conexão, ou não, com o Serpro e Dataprev.”

A expectativa é que o crédito pessoal retroalimente o próprio open finance, hoje com 130 milhões de consentimentos ativos e 100 milhões de consentimentos únicos, desconsiderando permissões repetidas do mesmo cliente.

Desses 100 milhões, a estimativa é de um terço de contas ativas, ou seja, que por volta de 30 milhões de pessoas e empresas (cerca de 1,3 milhão) tenham pelo menos uma conta com consentimento da troca de dados.

Ana Carla Abrão também reforça que a demanda triplicou em menos de um ano. “Quando a Associação começou, em maio de 2025, tínhamos em torno de 3 bilhões de chamadas de dados por semana. Hoje, estamos nos aproximando de 10 bilhões.”

Como destacou o diretor de tecnologia e operações, Elcio Calefi, o produto aproveita a infraestrutura que já suporta o próprio PIX. “A gente utiliza toda a cadeia de segurança transacional de APIs, toda a cadeia de certificados ICP Brasil, toda assinatura de mensagens, todo protocolo de consentimento, todo protocolo de conexão privada entre os participantes.”

“A gente reaproveita todo o arcabouço de segurança que foi desenhado pelo open finance. Toda a parte de liquidação financeira acontece dentro do arranjo de pagamentos do Banco Central. Ao comandar um pedido de portabilidade, todas as informações transacionais acontecem em comunicação bilateral entre as instituições participantes, o que preserva e utiliza um trilho já amplamente praticado e utilizado entre os participantes dentro do ambiente do Banco Central e toda a privacidade do cliente por estar em um ambiente que só ele tem acesso”, completou Calefi.

Para Ana Carla Abrão, esse modelo de desenvolvimento ajuda a explicar o próprio sucesso do Brasil, que tem o maior open finance do mundo. “Torna a evolução do ecossistema muito mais simples ou menos custosa, porque a gente já tem os trilhos de pagamento e os trilhos de dados conectados. Novas funcionalidades, novos produtos, têm custo de desenvolvimento por parte da das casas que é menor, porque esse custo já foi embarcado lá atrás.”

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo