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Segurança cibernética, e não IA, é prioridade das empresas

Apesar do hype, a inteligência artificial não figura nem como a primeira e nem como a segunda prioridade em tecnologia das companhias, o que, conforme destacou Márcio Caputo (foto), CEO da Logicalis para a América Latina, ao abrir coletiva de imprensa em 13/11, chama a atenção. 

Eficiência operacional, transformação de processos críticos e fortalecimento da segurança digital estão no foco para o ano de 2026. “Os clientes falam que falta para entrar com tudo em IA, seja capacidade de processamento, dados de qualidade e decidir se fará na computação em nuvem ou em data center próprio”, disse Caputo.

Para ele, 2026 será de busca por eficiência e integração da tecnologia para acelerar processos. “Nisso, a IA parece estar no centro.” E mais: “a segurança continua sendo a grande prioridade, mas precisa de investimentos estratégicos diante de ameaças mais sofisticadas e orçamento limitado”. Com relação à adoção de IA, Caputo destacou que ela precisa ir além da experimentação, o que requer clareza, ROI, casos de uso bem definidos e governança.

Os apontamentos constam do estudo IT Trends Snapshot 2025, promovido pela Logicalis em parceria com a consultoria Stratica, que aponta ainda que a prioridade com tecnologia das companhias é com segurança cibernética (80%), com automação de processos na busca por eficiência (49%) e, em terceiro, com o desenvolvimento de projetos de inteligência artificial e machine learning (42%).  

É a quarta edição do estudo na qual a segurança da informação lidera. O crescimento das ameaças cibernéticas baseadas em IA (como phishing hiperpersonalizado, deepfakes e engenharia social) reforça a necessidade de estratégias mais integradas e proativas. Ainda assim, apenas metade das empresas conta com um centro de operação de segurança (SOC, na sigla em inglês), o que evidencia uma lacuna crítica na capacidade de monitoramento contínuo.

“Há disparidades. Segurança da informação é prioridade, mas apenas metade tem SOC e 29% tem CISO”, ressaltou Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil. No recorte de empresas com faturamento acima de R$ 5 bilhões, o cenário melhora, com 87% delas tendo SOC e 67%, CISO. 
 

Projetos de analytics e big data, que ocupavam a segunda posição no estudo anterior, caíram para a quarta, ficando atrás de automação ou digitalização de projetos (49%) e de desenvolver projetos de inteligência artificial e machine learning (42%). O esforço na automação e digitalização de processos tem como objetivo viabilizar a melhor integração dos dados e sistemas (novos e legados) e otimizar o uso da mão de obra, custos e velocidade de respostas. De acordo com o estudo, soluções low-code e ferramentas de IA têm sido vistas como aliadas para reduzir a dependência de fornecedores nesses projetos.

Realizado com CIOs e gestores de TI empresas brasileiras, o estudo mostra que a percepção geral dos CIOs é que muitos dos investimentos realizados até o momento, apesar de importantes, são ainda bastante desestruturados, sem muita clareza de ROI e motivados pela pressão das áreas de negócios que temem ficar para trás, o famoso fomo — fear of missing out.

No entanto, a inteligência artificial segue em ascensão nas agendas corporativas, ainda que  enfrente desafios. Embora 42% das empresas tenham projetos de IA e machine learning como prioridade, apenas 30% conseguiram mensurar ganhos concretos em produtividade. A maioria dos investimentos ainda é pouco estruturada e sem clareza do retorno sobre investimento (ROI). Para 87% dos entrevistados, o impacto da IA depende mais da cultura organizacional do que da tecnologia em si.

O estudo também revela que 74% das empresas ainda não possuem políticas específicas de governança para IA, o que representa um risco crescente diante da rápida adoção da tecnologia e da evolução das regulamentações. A governança, aliada à estruturação de dados e à definição de diretrizes claras, será fundamental para garantir o uso responsável e eficaz da IA nos próximos anos.

“Tem dois assuntos claros em TI: a adoção de IA e os desafios com segurança da informação”, destacou Fabio Hashimoto, apontando que três em cada dez empresas afirmaram já ter conseguido tirar resultados tangíveis das iniciativas de IA.

Com relação a negócios, o levantamento aponta que 67% dos executivos têm como prioridade aumentar a eficiência operacional, seguida da melhoria da experiência do cliente (59%), otimização de processos críticos já existentes (57%) e acelerar a jornada digital (41%). “Não existem mais modelos de negócios sem uso de tecnologia como alavancadora, mas é preciso trazer casos de uso, conectar o ROI e gerenciar expectativas”, destacou Claudia Muchaluat, CRO da Logicalis para América Latina.  

Orçamento de TI
Mesmo diante dos desafios econômicos crescentes e das tensões geopolíticas globais em 2025, cerca de 60% das empresas preveem crescimento nos seus orçamentos de TI em 2026 e 31% acreditam na manutenção dos aportes. A maior parte das companhias (60%) projeta crescimento no orçamento de TI, sendo que 23% espera aumento acima de 10%; 37% diz que o orçamento subirá em até 10% e 31% afirma que se manterá igual a 2025.

No entanto, os CIOs expressaram preocupação de que o aumento nos orçamentos não seja suficiente para cobrir os custos também crescentes com mão de obra especializada (principalmente em dados), inflação, eventuais tarifas ou desvalorização cambial.

 

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