Varejistas que não integrarem Inteligência Artificial vão ficar para trás

Dezenas de milhares de varejistas de todos os tipos se reúnem, esta semana, nos Estados Unidos para o NRF 2024: Retails Big Show (A Grande Feira do Varejo). São cerca de mil expositores, com hubs de inovação apresentando tecnologias inovadoras no mercado, de startups mostrando empresas mais novas e promissoras e uma zona de inovação em serviços de alimentação ampliada com ativações imersivas.
De acordo com Susan Reda, vice-presidente de estratégia educacional da NRF, embora a inteligência artificial seja a tendência atual no varejo, o metaverso não foi a lugar nenhum. Ela disse não acreditar que o hype vai voltar, mas não acha que o metaverso esteja morto — justificando que a geração Alpha (os nascidos após 2010) vivem no Roblox e estão aprendendo sobre o mundo no Roblox.
Inclusive, o maior varejista do mundo, o Walmart, tem duas novas experiências de varejo imersivas no Roblox voltadas para a geração Alpha. O Walmart está experimentando tecnologia que permite aos compradores conectar experiências de compras físicas e virtuais no metaverso — por exemplo, podendo comprar alguns dos mesmos itens para as casas reais e as casas virtuais no House Flip, um jogo para celular que permite aos jogadores renovar e vender casas virtuais.
A mesma tecnologia é aplicada às roupas virtuais; os usuários podem comprar roupas virtuais da marca de moda Scoop do Walmart no Zepeto, um mundo virtual móvel que permite aos jogadores criar e personalizar seus avatares.
TendênciasSusan Reda, da NRF, listou, em um artigo para o blog da NRF, as previsões do setor de varejo para 2024, com destaque para a influência da inteligência artificial, que continua a crescer, os consumidores exigindo ações sustentáveis e a experiência do cliente continuando mais importante do que nunca.
Para Reda, a IA está eliminando as restrições que as empresas já tiveram e tornando realidade uma tomada de decisões mais rápida e precisa. “As empresas que não integram a inteligência artificial nas suas estratégias e operações comerciais correm o risco de serem deixadas para trás pelos seus concorrentes e por novos participantes no mercado”, escreveu a executiva em um artigo para o site da NRF.
Isso porque, ao usar IA, os varejistas podem analisar rapidamente quantidades enormes e díspares de dados em tempo real, permitindo uma tomada de decisão mais rápida, uma redução nos erros humanos, uma maior eficiência e a automatização de tarefas rotineiras e monótonas. E os varejistas físicos podem usar IA para analisar os dados coletados pelas câmeras das lojas e fazer as alterações apropriadas no tamanho e no layout da loja. Entre os executivos da cadeia de abastecimento, a IA está a remodelar a gestão de inventário e o planeamento da procura.
Ao mesmo tempo em que ressalta os benefícios da adoção de IA, a executiva lembra seus riscos, com a preocupação mais crítica sendo o potencial para questões éticas e de privacidade. “É imperativo que os varejistas sejam proativos na sua governação interna da IA e garantam que utilizam estas tecnologias de forma a apoiar os seus valores fundamentais, declarações de missão e objetivos empresariais”, escreveu, completando que as empresas precisam de ser transparentes sobre a forma como utilizam a inteligência artificial para terem a certeza de que são estabelecidas salvaguardas e para evitar discriminações ilegais.
Hiperpersonalização — O futuro é hiperpersonalizado, destacou a VP, apontando que esta tendência ronda o varejo já faz algum tempo, mas que o desafio para 2024 é oferecer hiperpersonalização respeitando a privacidade do cliente, protegendo os dados e servindo exatamente o que eles tinham em mente — em tempo real.
“Embora a hiperpersonalização não seja uma ideia nova para negócios de comércio eletrónico, o advento de grandes modelos de linguagem poderia aumentar ainda mais a sua importância. Os LLM são pré-treinados em grandes quantidades de dados e provaram ser valiosos no fornecimento de feedback com base em um número relativamente pequeno de informações. A capacidade de usar a personalização baseada em IA em todas as plataformas, incluindo mídias sociais, para fornecer conteúdo mais relevante é o padrão ouro”, destacou a executiva.
CES, em Las Vegas, tem muita IA integrada a produtos e inovações para facilitar o dia a dia


