Seu próximo personal shopper pode ser… um robô

A IA Agêntica está mudando o foco da discussão de personalização e novos canais para redefinir a experiência do consumidor. O Agentic Commerce (Comércio Agêntico) é um novo modelo de operação que traz tudo aquilo que as empresas perseguem: reduzir custos operacionais, criar novos formatos de monetização e estabelecer uma nova fronteira de branding.
No Agentic Commerce, o consumidor nem sempre toma as decisões. O “cliente” pode ser um agente de IA com a tarefa de perseguir promoções, lançamentos, produtos a partir das escolhas do consumidor. Pense em um “personal shopper”, que vai interagir com plataformas, consumidores e marcas para realizar a jornada de compra de forma autônoma, desde a descoberta do produto até o pagamento.
Segundo a Adobe, mais da metade dos consumidores espera usar assistentes de IA para compras até o final de 2025. Esse salto representa uma mudança fundamental no papel do consumidor e no modelo de operação dos varejistas.
Esses agentes já estão incorporados em plataformas como ChatGPT, Google Gemini e Perplexity, que adicionaram funcionalidades completas de comércio. Eles estão mudando a lógica de consumo em três frentes:
- Descoberta de produtos via comandos conversacionais;
- Comparação de preços e atributos, com base em preferências do usuário;
- Checkout automático, incluindo uso de dados salvos, carteiras digitais e rastreamento de entregas.
De acordo com levantamento do Boston Consulting Group (BCG), o tráfego de usuários a sites de varejo a partir de navegadores com GenAI aumentou 4.700% nos EUA em julho de 2025. Esses usuários passam 32% mais tempo, visitam 10% mais páginas e têm uma taxa de rejeição 27% menor do que os visitantes tradicionais.

O risco da desintermediação
Com a ascensão dos agentes de IA, os varejistas perdem o controle direto sobre a jornada do cliente. A pesquisa, a comparação, a decisão e o pagamento passam a ocorrer em ambientes intermediários – e não mais nos canais próprios da marca.
Isso pode implicar:
- Perda de tráfego direto devido ao crescimento de buscas zero-click;
- Diminuição da lealdade à marca, já que agentes priorizam preço, entrega e avaliação, não reputação;
- Redução do acesso a dados de primeira parte, comprometendo personalização e monetização;
- Pressão sobre receitas de mídia de varejo, que dependem de visibilidade e tempo de navegação.
Segundo o BCG, 96% dos varejistas já estão explorando ou implementando IA agêntica, e 68% acreditam que a maioria das interações com clientes será feita por agentes em cinco anos.
3 frentes estratégicas para o varejo
1. Ganhar visibilidade nos agentes de terceiros
A otimização para motores de busca (SEO) está sendo substituída pela GXO (Generative Experience Optimization), que visa tornar o conteúdo compreensível por modelos de IA.
A GXO exige:
- Conteúdo estruturado, semântico, factual e legível por máquinas;
- Presença ativa em plataformas como Reddit, YouTube e Quora (onde os modelos treinam);
- Capacidade de modular e atualizar constantemente os dados para RAGs (Retrieval-Augmented Generation).
Além do GXO orgânica, começa a emergir a Mídia Paga Generativa, com formatos como:
- Respostas patrocinadas;
- Recomendações embutidas em conversas;
- Prompt de compra no meio do diálogo.
Nos EUA, os anúncios em buscas via IA devem atingir US$ 26 bilhões em 2029, o equivalente a 14% de todo o mercado de search ads.
2. Criar experiências próprias com agentes da marca
Os varejistas podem desenvolver agentes proprietários, divididos em três tipos:
A. Brand Agents. São agentes que incorporam o DNA da marca e oferecem personalização profunda. Exemplos:
- Lowe’s criou o Mylow, que responde perguntas detalhadas sobre reformas e localização de produtos nas lojas.
- Instacart integrou um assistente conversacional à busca, sugerindo produtos e receitas a partir de comandos naturais.
B. Workforce Agents. São voltados para produtividade interna, marketing, gestão de dados e suporte:
- O AI pode gerar campanhas em horas;
- Enriquecer descrições de produtos;
- Monitorar desempenho em tempo real;
- Automatizar relatórios e ajustes de estratégia.
Exemplos incluem ferramentas como Trustana (gestão de dados de e-commerce) e Pencil (produção de mídia realista via IA).
C. Partner Agents. Voltados à interação com fornecedores e parceiros, como o Marty, novo agente da Walmart para onboarding de fornecedores e gestão de pedidos, ou a plataforma Mirakl Nexus, que conecta múltiplos vendedores a marketplaces e agentes de compra.
3. Construir fundações organizacionais para operar em velocidade de IA
Para sustentar essa transformação, as empresas precisam de:
- Infraestrutura de dados escalável, com integração a padrões como o Model Context Protocol (MCP);
- Medição de performance em ecossistemas GenAI, rastreando citações, menções e posicionamento nos modelos;
- Governança de IA, com foco em ética, riscos e ciclo de vida dos casos de uso;
- Capacitação de talentos, redirecionando funções humanas para supervisão estratégica e interação com agentes.
Leia mais sobre Agentic Commerce na The Shift.
Conteúdo originalmente produzido e publicado por The Shift.
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