Sua liderança ainda cabe no século passado?

Liderar hoje exige uma nova mentalidade: mais empática, adaptável, ética e estratégica. Para sobressair em um mundo em que decisões são tomadas em cenários de incerteza, polarizações sociais e um avanço tecnológico sem precedentes. Conectado a uma força de trabalho que quer muito mais do que apenas um bom salário no final do mês.
É para esse contexto que o Thinkers50, uma das principais referências globais em pensamento de gestão, elaborou uma lista com os 10 melhores livros de nova gestão para 2025. A seleção reúne autores que propõem caminhos mais conscientes para os desafios do presente e do futuro.
Essas obras representam uma virada de chave: tratam de como as empresas devem agir (e reagir) em um ambiente de negócios em constante transformação. São livros que ajudam líderes a enxergar o que está por vir, a lidar com zonas cegas e a tomar decisões mais humanas, estratégicas e sustentáveis. Os temas são tão diversos quanto urgentes: Inteligência Artificial com responsabilidade, estratégia com intencionalidade, diversidade com profundidade, sustentabilidade com propósito, bem-estar com dados e liderança com visão expandida.
Confira a lista abaixo:
1. “This is Strategy: Make Better Plans”, de Seth Godin
Foco: Seth Godin apresenta uma nova abordagem sobre estratégia, baseada na flexibilidade, no pensamento sistêmico e na clareza de propósito. O livro propõe que estratégia não é sobre prever o futuro, mas sobre tomar decisões intencionais diante da incerteza.
Para quem lidera: escrito em “riffs” curtos (298), combinando storytelling, exemplos e insights, é uma leitura essencial para líderes que sentem que seus planos não refletem mais a complexidade atual. Ajuda a construir um raciocínio estratégico mais leve, contínuo, adaptável e centrado no valor.
Review: “Uma leitura provocativa e acessível que reformula como pensamos sobre planejamento”, segundo o Thinkers50.
2. “What Matters Next: A Leader’s Guide to Making Human-Friendly Tech Decisions”, de Kate O’Neill
Foco: um guia para tomar decisões tecnológicas fundamentadas em empatia, propósito e ética em um ambiente dominado pela IA. Traz visões de futuro acionáveis (“Bankable Foresights”) para alinhar foco, propósito, valores e recursos.
Para quem lidera: combina estratégia digital, ética e empatia, um tripé essencial para liderar no futuro da tecnologia. É um convite à transformação cultural nas organizações ou como diz a própria autora, “é sobre responsabilidade, intenção, o que significa liderar com humanidade”.
Review: “Um guia indispensável para líderes que desejam alinhar ética e tecnologia”, Fast Company.
3. “The New Nature of Business: The Path to Prosperity and Sustainability”, de André Hoffmann & Peter Vanham
Foco: o empresário Andre Hoffmann e o jornalista Peter Vanham propõem um novo modelo de sustentabilidade corporativa baseado na conservação de capital natural, humano, social e financeiro. É um convite à reinvenção do Capitalismo para uma era de interdependência e de “prosperidade sustentável”.
Para quem lidera: indicado para quem precisa alinhar ESG ao core do negócio, conectando propósito e performance. Baseado em experiências da Roche e cases da Ikea, Schneider e Harley-Davidson, entre outros, oferece um framework prático para a transição sustentável.
Review: “Must-read para qualquer empreendedor do século XXI”, Richard Branson, cofundador do Virgin Group.
“Blueprint convincente para reinventar modelos de negócios alinhados com a sociedade e a natureza”, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.
4. “Pioneers: 8 Principles of Business Longevity from Immigrant Entrepreneurs”, de Neri Karra Sillaman
Foco: Neri Karra Sillaman explora o sucesso de empreendedores imigrantes que, mesmo com capital e conexões limitados, construíram negócios icônicos e duradouros como WhatsApp, Chobani e BioNTech. Uma pesquisa acadêmica rigorosa, que analisa os princípios de longevidade empresarial, destacando resiliência, diversidade e adaptabilidade.
Para quem lidera: baseado em entrevistas com dezenas de empreendedores globais, estabelece oito princípios comuns que explicam a resiliência, visão de longo prazo e capacidade de criar negócios duradouros em contextos adversos. O foco está na ética do trabalho, humildade e inovação na escassez.
Review: “Uma poderosa lembrança de que a diversidade é uma vantagem estratégica”, Thinkers50.
5. “Artificial Integrity: The Paths to Leading AI Toward a Human-Centered Future”, de Hamilton Mann
Foco: introduz o conceito de “Integridade Artificial”, propondo uma abordagem ética para o desenvolvimento e uso de sistemas de Inteligência Artificial. Coloca na mesa discussões como responsabilidade e confiança digital e explica como estruturar ética e confiança em sistemas de IA.
Para quem lidera: orienta lideranças a balancear inovação e integridade, construindo IA com legitimidade institucional para ambientes com governança tecnológica crescente. Apresenta frameworks com 9 critérios para garantir que IA seja responsável, transparente, segura, sem vieses, o que inclui políticas internas, compliance, transformação digital e supervisão humana.
Review: “Um chamado urgente por governança de IA ética e institucional”, Drucker Forum.
6. “Can I Say That? Your go-to guide for diversity, equity, and inclusion”, de Poornima Luthra
Foco: guia prático para navegar com confiança nas conversas difíceis sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) no ambiente de trabalho. Comunicação consciente em temas sensíveis de diversidade.
Explica termos-chave DEI de forma acessível, ensina a lidar com microagressões e viés inconsciente, além de sugerir comportamentos para fomentar uma cultura inclusiva e pertencimento organizacional.
Para quem lidera: oferece ferramentas para desenvolver empatia, agir como aliado e construir ambientes mais seguros e representativos para líderes, RHs, gestores de times diversos ou em transformação cultural.
Review: “Uma leitura essencial para quem quer liderar com consciência e coragem”, Thinkers50.
7. “Why Workplace Wellbeing Matters: The Science Behind Employee Happiness and Organizational Performance”, de Jan-Emmanuel de Neve e George Ward
Foco: analisa o impacto do bem-estar no desempenho organizacional. Mostra que o bem-estar não é apenas um “benefício”, mas um fator determinante para o desempenho da organização.
Baseado em pesquisas que relacionam felicidade no trabalho e lucro, traz estratégias para repensar gestão, feedback e desenho do trabalho para construir organizações resilientes e de alta performance.
Para quem lidera: apresenta dados e evidências para justificar investimentos em bem-estar para CEOs, CHROs e líderes de transformação cultural.
Review: “Um manifesto com base em ciência para mudar o jeito como vemos o trabalho”, Financial Times.
8. “Blindspotting: How to See What Others Miss”, de Kristin Ferguson
Foco: revela como vieses e zonas cegas afetam decisões e lideranças. Ensina a identificar e corrigir esses pontos cegos, questionar premissas ocultas e ampliar a visão estratégica e emocional das lideranças. Apresenta três pilares – honestidade intelectual, curiosidade afetiva e humildade cognitiva – fundamentais para líderes.
Para quem lidera: Inclui ferramentas práticas e autoavaliações para líderes que buscam melhorar sua autoconsciência, ampliar sua visão de mundo e liderar com autenticidade e abertura.
Review: “Um blueprint de liderança eficaz e humana”, Penguin.
9. “The Age of Outrage: How to Lead in a Polarized World”, de Karthik Ramanna
Foco: revela como vieses e zonas cegas afetam decisões e lideranças. Ensina a identificar e corrigir esses pontos cegos, questionar premissas ocultas e ampliar a visão estratégica e emocional das lideranças. Apresenta três pilares – honestidade intelectual, curiosidade afetiva e humildade cognitiva – fundamentais para líderes.
Para quem lidera: fornece ferramentas sociais e de comunicação para CEOs, líderes de Comunicação e gestores de crise conduzirem mudanças em contextos de gestão de conflitos. Analisa as causas da “era da raiva” (redes sociais, tribalismo, desinformação) e propõe quatro princípios para liderar com coragem em tempos polarizados para empresas se posicionarem em temas sensíveis, sem perder legitimidade.
Review: “Ajuda líderes a trocar reação por reflexão estratégica”, Thinkers50.
10. “The Profiteers: How Business Privatizes Profits and Socializes Costs”, de Chris Marquis
Foco: Christopher Marquis é professor de Gestão Chinesa na Universidade de Cambridge e especialista em negócios regenerativos. Em seu novo livro, ele analisa como corporações historicamente maximizam lucros, enquanto externalizam riscos sociais e ambientais. É uma crítica ao modelo econômico dominante e um apelo à transformação dos negócios para gerar valor real e compartilhado.
Para quem lidera: expõe práticas predatórias, oferece casos e estratégias para integrar responsabilidade ao core business da empresa a líderes de ESG, conselheiros, investidores e lideranças que buscam repensar o papel da empresa na sociedade. Traz alternativas para alinhar lucro à responsabilidade social e sugestões práticas de como evitar práticas predatórias.
Review: “Desafia líderes a refletir profundamente sobre como e para quem seus negócios operam”, Barnes & Noble.
Uma segunda lista da Thinkers50 traz os títulos de gestão clássicos, que incluem Como “Reinventando as Organizações”, de Frederic Laloux, “Estratégia Boa, Estratégia Ruim”, de Richard Rumelt, e “7 Hábitos das Pessoas Realmente Eficazes”, de Stephen R. Covey, que se juntam a uma lista que já conta com “O Dilema da Inovação”, de Clay Christensen, “A Organização Sem Medo”, de Amy Edmondson, e “In Search of Excellence”, de Tom Peters e Robert Waterman. São livros que, segundo a comunidade da Thinkers50, resistiram ao “teste do tempo” e permanecem relevantes até hoje.
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