Um novo modelo de trabalho

Existe um novo blueprint sendo construído para o mundo do trabalho. Ele passa pelo momento “IA não é somente uma ferramenta”, chega até “Pense na IA como um estagiário muito brilhante” e nos projeta para um futuro próximo em que profissionais humanos e agentes de IA dividem tarefas e ferramentas. Esse sistema híbrido estruturado em torno da “inteligência sob demanda” é a base da “Frontier Firm” (empresa de fronteira) que gera mais valor a partir da combinação humanos + máquinas e que deve tomar forma nos próximos dois a cinco anos, segundo o relatório “2025: The Year the Frontier Firm Is Born” – nova edição do Work Trend Index Annual Report.
O estudo traz os pontos que mostram a urgência desse novo modelo:
- 82% dos líderes dizem que este é um ano crucial para repensar os principais aspectos da estratégia e das operações.
- 81% das lideranças dizem que esperam que os agentes sejam integrados – de forma ampla ou moderada – à estratégia de IA de sua empresa nos próximos 12 a 18 meses.
- 53% dos líderes dizem que a produtividade precisa aumentar.
- 80% dos trabalhadores afirmam não ter tempo ou energia suficientes para dar conta das demandas atuais.
- 24% dos líderes dizem que suas empresas já implantaram a IA em toda a organização.
- Apenas 12% permanecem no modo piloto com a IA.
A Microsoft analisou dados de pesquisas com 31.000 trabalhadores em 31 países, tendências do mercado de trabalho do LinkedIn e sinais de produtividade via Microsoft 365, além de conversar com economistas, cientistas, lideranças corporativas e de startups que exploram IA nativa. O cenário que emergiu é uma profunda reestruturação dos modelos organizacionais, das funções humanas e da própria natureza do trabalho.

Inteligência sob demanda: o novo motor
Durante décadas, inteligência era um recurso limitado, dependente de tempo humano, energia e custo. Com a IA Generativa, o conceito de “inteligência sob demanda” vem para escalar a força de trabalho sem aumentar proporcionalmente o número de pessoas, reduzindo a lacuna entre o que as empresas exigem e o que humanos conseguem entregar.
O relatório define três estágios para uma empresa se tornar “Frontier Firm”:
- Fase 1 – Humano com assistente: toda pessoa colaboradora tem um assistente de IA para ajudá-la a trabalhar melhor e mais rápido.
- Fase 2 – Equipes humano-agente: agentes assumem tarefas específicas sob orientação humana, como colegas digitais.
- Fase 3 – Operação conduzida por agentes: humanos definem direções estratégicas, e agentes executam processos e fluxos de trabalho inteiros.
Na nova lógica, cada pessoa se torna um “agent boss” – alguém capaz de construir, gerenciar e delegar tarefas a agentes de IA. A mudança exige habilidades inéditas: saber iterar com a IA, identificar falhas de raciocínio, delegar com contexto e refinar entregas.
Os líderes já estão à frente: 79% acreditam que a IA vai acelerar suas carreiras, contra 67% dos funcionários. Além disso, 67% dos líderes estão familiarizados com o conceito de agentes, frente a apenas 40% dos funcionários.
Brasil aberto à transformação
O Brasil aparece como um dos países mais abertos à adoção de IA no trabalho, segundo o Work Trend Index 2025. A seguir, veja como lideranças brasileiras vão investir recursos:
- 94% consideram 2025 um ano crucial para repensar estratégia e operações empresariais, superando a média global de 82%.
- 90% planejam utilizar agentes de IA para expandir a capacidade da força de trabalho nos próximos 12 a 18 meses, frente a 82% da média global.
- 89% estão considerando a contratação de pessoas especializadas em IA, como analistas de ROI, treinadoras de IA e especialistas em segurança de agentes, frente à média global de 78%.
- 61% dos gerentes brasileiros dizem que o treinamento em IA será responsabilidade central de suas equipes nos próximos 5 anos, acima da média global de 51%.
- Profissionais do Brasil estão entre os grupos mais entusiasmados com o uso da IA no trabalho:
- 80% relatam falta de tempo ou energia para realizar suas tarefas, alinhando-se à média global.
- A IA é vista como uma solução para essa lacuna de capacidade, permitindo que tarefas repetitivas sejam automatizadas, liberando as pessoas para atividades de maior valor agregado.
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